Dejalma Cremonese

DISCIPLINA: Política I
PROFESSOR: Dejalma Cremonese, Dr.
SITE: www.capitalsocialsul.com.br
E-mail: dcremoisp@yahoo.com.br
Curso: Sociologia - Licenciatura
Semestre/Ano:I I/2019

I – OBJETIVOS

O homem é, por natureza, “um animal social e político” (zoon politikon). “Aquele que não precisa dos outros homens, ou não pode resolver-se a ficar com eles, ou é um deus, ou é um bruto (selvagem)”, são afirmações atribuídas ao filósofo grego Aristóteles e encontram-se na obra A Política (2002). Também é lapidar, neste sentido, a afirmação da filósofa Hannah Arendt, constante na obra A condição humana (1995, p. 31), enaltecendo o caráter social e político do homem: “Nenhuma vida humana, nem mesmo a vida de um eremita em meio à natureza selvagem, é possível sem um mundo que, direta ou indiretamente, testemunhe a presença de outros seres humanos”. Essas citações ressaltam que nenhum de nós é uma ilha, que necessitamos e carecemos da presença do outro para a nossa realização e, mais ainda, toda ação do homem depende, inexoravelmente, da presença de outros. Seguindo o pensamento de Aristóteles, não basta a convivência em sociedade para caracterizar nosso aspecto social e comunitário, pois desta forma também vivem as formigas e as abelhas. O que, então, pode nos diferenciar dos outros seres do mundo? Aristóteles aponta para a conotação racional do homem, a utilização peculiar do pensamento (logos) para a construção e transmissão do conhecimento. Adverte o filósofo que “todos os homens têm o desejo de saber”, pois só o homem conhece e tem consciência de si mesmo. Além do aspecto racional, o homem diferencia-se dos demais seres pelo senso ético (bem e mal, certo e errado), senso estético (culto ao belo) e, o mais importante de todos, por viver na cidade (pólis), pela politicidade (vida cívica). Sendo assim, O homem foi feito, assim, para a vida da cidade (bios politikós, derivado de pólis, a comunidade política), ou seja, o fim último do homem é viver na pólis, onde se realiza como cidadão (politai), manifestando a sua natureza, o termo de um processo de constituição de sua essência, a sua natureza. Então, é próprio do homem não apenas viver em sociedade, mas viver na “politicidade”. A verdadeira vida humana deve almejar a organização política, que é uma forma superior e até oposta à simples vida do convívio social da casa (oikia) ou de comunidades mais complexas. A partir da compreensão da natureza do homem, determinados aspectos da vida social adquirem um estatuto essencialmente político, tais como as noções de governo, de dominação, de liberdade, de igualdade, do que é comum, do que é próprio. Ao término da disciplina o aluno será capaz de: Identificar, conhecer e analisar as principais teorias e autores do pensamento político, desde a antigüidade clássica Ocidental até o século XVIII da era moderna.

II. CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

UNIDADE 1 – FUNDAMENTOS DE TEORIA POLÍTICA

1.1. Teoria política; Filosofia política; Ciência política.
1.2. Política na Antigüidade e no Medievo: Platão, Aristóteles e Sto Agostinho
1.3. Maquiavel e a fundação do Estado Moderno.

UNIDADE 2 – TEORIA POLÍTICA NO EMERGENTE MUNDO BURGUÊS

2.1 - Hobbes e o Leviatã: o contrato da submissão.
2.2 - Locke e os primórdios do liberalismo: o contrato do consentimento.
2.3 - Montesquieu: a análise dos regimes políticos e o problema dos poderes.
2.4 - Rousseau e a vontade geral. 
2.5 - Burke: um liberal contra a Revolução Francesa.
2.6 - O Federalista: a nova ordem constitucional do Estado moderno.

III. METODOLOGIA
O curso será desenvolvido através de aulas expositivas e de discussão dos textos e vídeos em classe. A cada aula pressupõe-se que os alunos tenham assistido os vídeos indicados ou lido a bibliografia da aula em curso e das aulas anteriores de forma a permitir a compreensão efetiva do conteúdo. A média final resultará de três notas: a primeira advém da entrega de resumos (manuscritos) dos vídeos assistidos e das leituras indicadas anteriormente (peso 4,0); a segunda e a terceira advêm advêm de duas provas (parcial e cumulativa) valendo (3,0) e (3,0), respectivamente.

IV. AVALIAÇÃO

1. No início de cada aula o aluno deverá entregar pessoalmente e de forma manuscrita os resumos dos vídeos indicados e das leituras obrigatórias (valor total se for entregue todos os resumos: 3,0)
2. Avaliação parcial I (valor: 3,0)

3. Avaliação final (valor: 3,0)

4. Participação e presença (1,0)

COBRANÇA DE FREQUÊNCIA:
Os/as estudantes que tiverem frequência inferior a 75% serão reprovados/as, ainda que tenham nota suficiente para serem aprovados/as.

V. CRONOGRAMA DAS AULAS

1ª aula - Apresentação do programa, Bibliografia e Procedimentos avaliativos

2ª aula -  A Ciência Política e a Teoria Política e a A República de Platão

3ª aula - Análise da obra A Política de Aristóteles e Santo Agostinho

4ª aula - Aula Moodle

5ª aula - Fundamentos do Estado Moderno

6ª aula: Maquiavel e O Príncipe

7ª aula: Hobbes e O Leviatã

8ª aula: Avaliação parcial

9ª aula: O Segundo tratado sobre o Governo Civil de John Locke

10ª aula: Moodle

11ª aula: O contrato Social de Rousseau

12ª aula: O Conservadorismo de Burke

13ª aula: O Federalista

14ª aula: Aula Moodle

15ª aula: Avaliação Final

* Cronograma das aulas sujeito à mudanças.

Bibliografia de apoio

CREMONESE, Dejalma. Fundamentos da teoria política. Curitiba: Appris, 2019.

VI. BIBLIOGRAFIA DOS CLÁSSICOS

AGOSTINHO, Santo. A cidade de Deus. Petrópolis: Vozes, 1990.
ARISTÓTELES. A Política, 3ª. Ed., São Paulo, Martins Fontes, 2006.
BURKE, Edmund. Reflexões sobre a Revolução em França. Brasília: Editora UnB, 1982 (capítulos a serem indicados). 
HAMILTON, A., MADISON, J. E JAY, J.  O federalista. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Coleção “Os pensadores”). 
HOBBES, Thomas. Leviatã, parte 2 – Da República, capítulos XVII, XVIII, XIX, XX e XXI. Há várias edições brasileiras. 
LOCKE, J. Segundo Tratado sobre o Governo. São Paulo: Abril, 1978. (Coleção “Os Pensadores”).  
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Brasília: EdUNB, 1979. 
MONTESQUIEU, Charles de Secondet. O espírito das leis. Brasília: EdUNB, 1982. 
PLATÃO. A República - os Pensadores. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997.
ROUSSEAU, J. J. Do Contrato Social. São Paulo: Abril, 1983. Os Pensadores. 
WEFFORT, Francisco (org.). Os clássicos da política. 10. Ed. São Paulo: Ática, 
2000 (vol. 1 e 2). 
 
Biblioteca complementar
ARENDT, Hannah. O que é a política? Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1999, pp. 45-84.
ARISTÒTELES. Ética a Nicômacos. Brasília: Editora UnB, 1999.
BERLIN, Isaiah. Dois conceitos de liberdade. In: Hardy, Henry e Hausheer, Roger (orgs.). Isaiah Berlin: Estudos sobre a Humanidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
BARNES, Jonathan. Filósofos Pré - Socráticos. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
BERTRAND, Russell (Prêmio Nobel 1950). História do Pensamento Ocidental. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2002.
BOBBIO, Norberto. Igualdade. In: Bobbio, Norberto. Igualdade e Liberdade, Rio de Janeiro, Ediouro, 2002.
BOBBIO, Norberto. O Conceito de Política. In: Bobbio, N. Teoria Geral da Política. Rio de Janeiro, Campus, 2000, pp. 159-177.
BORHEIM, G. Os filósofos pré - socráticos. São Paulo, Cultrix, 1977.
CHATELET, F. et alli. Dicionário de Obras Políticas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1993. 
CHAUI, Marilena. Introdução à História da Filosofia: dos pré - socráticos a Aristóteles. Vol 1. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
CHEVALIER, J. J. História do pensamento político. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. 
COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. São Paulo: Martins fontes, 200.
CREMONESE, Dejalma. teoria política, unijui, 2008.
FINLEY, Moses. Política. In: Finley, Moses (org.). O legado da Grécia: uma nova avaliação, Brasília, Ed. UnB, 1998.
HAMLYN, D.W. Uma história da filosofia ocidental. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987.
HATZFELD, Jean. História da Grécia Antiga. Lisboa: Publicações Europa, 1965.
LEGRAND, Gerard. Os Pré - Socráticos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.
MANIN, Bernard; PRZEWORSKI, Adam; STOKES, Susan. Eleições e Representação. Lua Nova, n. 67, 2006. 
MAQUIAVEL, Nicolau. Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio, Brasília, Ed. UnB, 1982, caps. 1 a 10.
MOSSÉ, Claude. Atenas: a história de uma democracia. Brasília: Editora Unb, 1997.
PETIT, Paul. História Antiga. São Paulo: Difel, 1971.
PATEMAN, Carole. Participação e Teoria Democrática, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1992, pp. 9-34.
PLATÃO. A República, São Paulo, Martins Fontes, 2006.
PLATÃO. A República. Belém: UFPA, 1988. 
PLATÃO. Apologia de Sócrates. Críton. Clássicos Gregos. Brasília: Editora UnB, 1997.
SCHUMPETER, Joseph. Capitalismo, socialismo e democracia, Capítulo 24 (Outra teoria da democracia), Rio de Janeiro, Zahar, 1984.
SILVA, Ricardo. Liberdade e lei no neo-republicanismo de Skinner e Pettit. Lua Nova, n. 74, 2008.
SKINNER, Quentin. Maquiavel. São Paulo, Brasiliense, 1988.
VERNANT, J.P. Mito e pensamento entre os gregos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
WEBER, Max. A Política como Vocação. In: Weber, M. Ciência e Política – duas vocações. SãoPaulo: Cultrix, 1993.
WEBER, Max. Economia e Sociedade, volume 1, pp. 33-34 e volume 2, pp. 187-193, Brasília, Ed. UnB, 1999.