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Resumo - Sumário

Aulas II/2017

Introdução à filosofia - Ciências sociais (DCG)
Ciência Política - Administração

Análise de Conjuntura Política

05/10/2017 atualizado às 21:32

Dinheiro público para financiar campanha

A Camara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 8703/17 que trata do Fundo Eleitoral que prevê recursos públicos na ordem de 1,7 bilhão para o financiamento público de campanha. A votação não foi nominal, é claro, para não deixar claro quem votou a favor e quem votou contra. Voto secreto, tudo às escurar, para preservar a imagem dos deputados. E mais, tudo na calada da noite, na madrugada do dia 4.

Pelo texto, o valor do fundo será dividido da seguinte forma no primeiro turno das eleições: 2% entre todos os partidos com estatuto registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); 35% entre os partidos com, pelo menos, um representante na Câmara dos Deputados, na proporção do percentual de votos obtidos na última eleição da Casa; 48% dividido entre os partidos na proporção do número de representantes na Câmara considerando suas legendas; 15% dividido entre os partidos na proporção dos partidos no Senado, também considerando as suas legendas. Nas campanhas do segundo turno, serão destinadas 65% dos recursos para o cargo de governador e 35% dos recursos nas campanhas para presidente. Para valer o senado deve aprovar até amanhã.

O problema é que o financiamento público de campanha não estanca outras formas de financiamento de campanha: quem me garanta que os partidos e os candidatos não recebam dinheiro público para suas campanhas mas, ao mesmo tempo não recebam dinheiro de caixa 1 e caixa 2 das grandes empresas? Esse é o problema.

Dejalma Cremonese

01/10/2017 atualizado às 21:32

Temer fica até 2018

Dejalma Cremonese

A pergunta emblemática até o presente momento é esta: qual a fórmula usada por Temer para a manutenção de seu governo? Seria um governo indestrutível e chegaria até o fim de seu mandato em dezembro de 2018? O certo é que ninguém quer sair na foto com o presidente, e não é para menos. Temer é o presidente mais rejeitado da história. Pesquisa Datafolha divulgada no dia 02 de outubro indica uma reprovação de 73%, sendo que apenas 5% aprovam o governo Temer. Da mesma forma a pesquisa da CNI/setembro de 2017, aponta 92% não confiam em seu governo. Pior são as expectativas para os 15 meses restantes: 72% da população afirma que o restante do governo Temer será ruím ou péssimo.

Então, como explicar o paradoxo de Temer em se manter até agora no poder? O certo é que ninguém teve forças até o momento de derrubá-lo. Como é possível Temer resistir com um cenário desfavorável de uma economia em queda e a imediata relação com a alta do desemprego? O retrocesso se dá sob os aspectos econômico, social e político. Como Temer resiste de forma implacável às frequentes denúnicas do Ministério Público Federal e da Suprema Corte? As imagens são reais da roubalheira registradas em áudios com a doce voz do próprio presidente. Vídeos e fotos de malas de dinheiro que o envolvem diretamente e seu ex-ministro e nada acontece? Parece que nos acostumamos a assistir imagens que incriminam diretamente Temer sem nenhuma reação, aceitamos tudo com naturalidade. De onde vem tanta apatia? Também já não é nenhum escândalo o presidente comprar os deputados com dinheiro público para se safar das acusações. Achamos que isso faz parte do "fazer político".

Prestando bem a atenção, a resposta para estas perguntas não são tão paradoxais quanto parecem. Temer, o governo golpista, vem cumprindo o seu papel e recebendo apoio daqueles que os jornais nomeiam como a "bancada do BBB" (boi, bílblia e bala) ligados ao setor do empresariado, ruralistas e segmentos conservadores. Sim, Temer tem trabalhado com afinco nas principais propostas reivindicadas por eles: das 36 “propostas para o Brasil sair da crise", enviadas ao governo Temer pela CNI (Confederação Nacional da Industria) 29 avançaram. Um índice de 80% de atendimento. Os ruralistas encaminharam 17 reivindicações - 13 foram atendidas - ou 76%. Os destaques são os avanços na reforma trabalhista e a regulamentação da terceirização, junto com o programa de refinanciamento de dábitos tributários das empresas. No setor rural, os grandes produtores foram contemplados com a generosa renegociação de débitos, juntamente com a lei da regularização fundiária e a flexibilização das regras de financiamento ambiental. Já a bancada religiosa segue barrando projetos contrários aos seus interesses e promovendo outros como o “escola sem partido. A bancada da bala encaminha projetos que alteram a seu favor o Estatuto do Desarmamento e a revisão da maioridade penal de 18 para 16 anos.

E agora, quem poderia nos defender do governo Temer e sua torpe? O povo nas ruas, diriam os mais alinhados aos setores progressistas; os militares, para os desesperados que acham que a solução advém do coturno e do cassetete. O certo é que ninguém está afim de dar o primeiro passo. Só ecoa o silêncio barulhento das panelas nas avenidas e ruas desertas. Enquanto isso Temer fica onde está, sem problemas. Paralelo a isso vamos nos digladiando nas redes sociais no debate se o deus pã cruzando com uma cabra numa exposição é zoofilia, ou pinturas de "crianças viadas" ou tocando um homem nu é pedofilia. Dessa maneira acredito piamente que Temer terminará seu governo só em dezembro de 2018, contra a minha vontade, é claro.

26/09/2017 atualizado às 11:59

Por uma educação não utilitária

Dejalma Cremonese

Para que serve isso ou aquilo? Os brilhantes argumentos do professor italiano Nuccio Ordine na obra A utilidade do inútil (Zahar), nos fazem refletir sobre a lógica do lucro no mundo da educação. Segundo ele, os saberes que não trazem lucro são considerados inúteis: ele está falando principalmente dos saberes humanísticos. Cita as obras de Dante, Cervante e Petrarca, Thomas Morus, Francis Bacon como exemplo de que nem a literatura nem a filosofia são subservientes ao dinheiro. Neste sentido, não estaríamos vivemos o inverno das consciências com o declínio das artes e dos saberes humanísticos? A educação dar-se-á na liberdade de querer aprender, pois, segundo Sócrates, a educação não se configura "forçosamente", pois quem é livre não deve aprender ciência alguma como uma escravatura.

Diz Ordine que a arte é que melhor consola o viver. Sem a loucura da poesia teríamos uma vida prudente demais. Precisamos de uma "loucura" de Dom Quixote de Cervantes que nos ensina o heroísmo da inutilidade e da gratuidade. Precisamos de uma educação aberta á imaginação, aos sentimentos, aos afetos. Como isso é possível se os nossos alunos são considerados "pequenos vasos enfileirados" diante do professor para serem enchidos de fatos e informações até a borda?

É evidente que para o homem atual é realmente cada vez mais complicado mostrar interesse por algo que não implique um uso prático e imediato com objetivos técnicos. Durante as minhas aulas, alguns alunos já fizeram a seguinte pergunta: Para que serve a filosofia? Respondo em tom de brincadeira, mas com um sentido reflexivo, da seguinte forma: Se ela não servir para nada já está servindo para alguma coisa. Parafraseando Aristóteles, a filosofia
não tem utilidade, ela está acima do mero conhecimento técnico. A filosofia é conhecimento puro. Mais brilhante é o argumento do filósofo estoico Sêneca: “[...] a filosofia se ocupa não no adestramento das mãos, mas em instruir o espírito”.


Professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM


19/09/2017 atualizado às 11:59

A Cura Gay!

Dejalma Cremonese*

Em que século estamos, XII ou XIII? Sim, a última agora é o debate se o homossexualismo é doença ou não. Isso só pode ser uma questão levantada por pessoas que estão ainda na Idade Média. O assunto veio a tona quando o juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalhoda 14ª Vara do DF assinou liminar permitindo que profissionais da psicologia realizem tratamentos e pesquisas voltados à reorientação sexual. Isto é, que os casos de homossexualidade pudessem ser tratados. Primeiramente eu pergunto: o que pode nos preocupar a opção sexual de uma pessoa? Não seria uma questão íntima de cada um?

Penso eu que compete somente a pessoa decidir sobre sua intimidade. Teria o amor, o querer bem, alguma preferência de gênero? Desse eu posso gostar, daquele outro não. De forma alguma, o amor tem a liberdade de amar a quem bem entender, e isso não podemos controlar, muito menos opinar sobre as opções dos outros. O debate sobre a homossexualidade é permeada pela ignorância e por que não dizer pela imbecilidade. Dizem os medievais de que a homossexualidade é uma perversão, um desvio ou até mesmo uma aberração. Que depois de um tempo eu me transformo em gay como se fosse possível tal opção. A discriminação das pessoas pela opção sexual que tem é puro preconceito, em termos éticos, é negação da alteridade do outro. Por que preocupa tanto a vida íntima do outro? por que isso me incomoda? Não seria um falso moralismo ou até mesmo um desejo latente em mim de querer o mesmo que o outro?

O escritor Fernando Savater, que trata sobre a incoerência entre o modo de cada um ser e viver, conta a história da falsa moralista puritana que numa tarde de verão ligou para o delegado de polícia reclamando que, em frente a sua casa, alguns jovens brincavam na rua seminus divertindo-se num alegre banho de mangueira. O delegado e sua guarnição, atendendo a moralista, vai até o local e pede para que os jovens se afastem para não perturbam o sossego da mulher. Os meninos atendem o pedido e passam a se divertir noutro quarteirão. Passada meia hora a mesma mulher liga novamente ao delegado reclamando que os meninos continuam com as brincadeiras. Novamente o delegado se dirige aos jovens pedindo que eles se divirtam em outro local, ainda mais longe. Os meninos obedecem novamente. Todavia, por incrível que pareça, a mesma mulher “puritana” liga pela terceira vez reclamando daquelas cenas impudicas. O delegado esboçando um tom de surpresa e irritação argumenta: “Minha senhora, atendemos o seu pedido por duas vezes, afastamos os jovens para bem longe de sua casa para que não mais a importunasse...” Eis que veio a resposta da moralista: “É, mas de binóculo eu ainda consigo vê-los”. Ou seja, muitas vezes negamos algo de que gostaríamos de ser ou ter.

O A luta de muitos na busca insistente em garantir os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros não podem ser travadas pela truculência, discriminação e preconceito de nenhuma instituição ou pessoa. A cura gay é impossível, mas curar-se do preconceito contra os gays é possível... pense nisso.

 

18/09/2017 atualizado às 11:59

Ditadura nunca mais!

Dejalma Cremonese*

A semana começa com a polêmica afirmação do general militar Antônio Mourão, secretário de economia e finanças do Exército. Em uma palestra para a uma loja maçon Grande Oriente, em Brasília, Mourão se diz favorável a uma intervenção militar no caso de o Judiciário "não resolver essa questão" política. Disse ele: "Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso". Até agora não tivemos nenhuma manifestação de instituições e representantes contrárias a esta declaração, nem por parte do do governo, nem de agremiações políticas. Apenas o comandante do próprio Exército, general Eduardo Villas Bôas, contestou afirmando que neste momento "não há qualquer possibilidade" de intervenção militar no Brasil. A pergunta que fica: Mas o General Mourão não quebrou a hierarquia da ordem instituída dentro do próprio exército? E o que dizer do silêncio do ministro da Defesa, Raul Jungmann, seu chefe maior? Não seria segundo o Art. 47 do Estatuto dos Militares - Lei 6880/80 vedado ao militar se pronunciar sobre política publicamente?

É bem comum em tempos de crise políticas de governos que os problemas sejam"resolvidos" pelos militares. Aliás, passamos por outras "quarteladas" que não tiveram um bom desfecho: tortura, perseguição, mortes e retrocesso nas instituições democráticas. Talvez o nosso pouco "jeito" com a democracia decorra da inexistência da mesma na história política do país. E saber que nunca tivemos um período tão longo na história do que a experiência democrática do pós 1985. Chegamos quase aos 30 anos de uma democracia incipiente, mas constitucional. Algo inédito em 500 anos. Agora, com o golpe da era Temer, a democracia sofre um revés novamente.

O certo afirmar que, neste momento, as instituições políticas estejam em crise. Nunca o Congresso e os políticos foram tão mal avaliados. O Judiciário tem sérias dificuldades em punir os desmandos da corrupção do Legislativo e do Executivo, mas querer a volta da ditadura é retrocesso. Quanto maior for o descrédito com a democracia e com a classe política, maior são os percentuais daqueles que apoiam a ditadura: "Na minha última pesquisa de 2016, destaca o professor de Ciência Política da USP, José Álvaro Moisés, saltou de 15% para 20% o percentual dos que apoiam a ditadura".

Professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM

13/09/2017 atualizado às 11:59

O tempo das malas gordas

Dejalma Cremonese*

“Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as divergências entre os indivíduos”. (Barão de Montesquieu)

Foi-se o tempo em que as denúncias de corrupção vinham apenas do “propinoduto” ou “dedurismo” das delações premiadas. Agora, entramos em uma nova fase, o que vale é a prova concreta: imagens de malas e bucker de dinheiro em mãos de políticos apressados ou em apartamentos de apadrinhados.

Recentemente vimos malas de dinheiro da empresa JBS nas mãos de um primo do Senador Aécio Neves que continua livre, leve e solto; da mesma forma assistimos o assessor direto do Presidente Temer, o deputado Rocha Loures, troteando com dinheiro de propina da mesma JBS. Agora foram encontrados “apenas” 8 malas com mais de 51 milhões de reais com as digitais do emotivo, para não dizer chorão, Geddel Vieira, ex-braço direito do Presidente Temer. Geddel acumula crimes desde os anos de 1990, no entanto, sua mãe alega que o filho é “doente”. Aliás, a mala de Loures virou necessaire comparada às bagagens de Geddel. Mesmo que venha a se confirmar a anulação dos benefícios judiciais concedidos ao todo poderoso Joesley Batista, como poderemos apagar as imagens de nossas memórias e do youtube com as malas de dinheiro com propina para Aécio e para Temer? Por outro lado, do “quadrilhão” da Cúpula Nacional do PMDB na ala do governo Temer, quem não tem foro privilegiado está preso. Continuam soltos os protegidos pelo escudo do foro, além do próprio Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). Estão atrás das grades o ex-ministro Geddel Vieira Lima e os ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha.

Teríamos alguma chance de se fazer justiça no Brasil se tivéssemos um Judiciário autônomo e independente, prerrogativa já defendida pelo teórico Barão de Montesquieu na obra O espírito das leis (Capítulo VI do livro XI), que trata sobre a separação dos poderes para o bom êxito da democracia. No entanto, o que se vê é um Supremo Tribunal Federal (STF) partidarizado e, ao mesmo tempo, acuado. Não nos surpreenderá se o Ministro Gilmar Mendes anular grampos, fotos, depoimentos e todas as provas que incriminam Aécio e Temer. Assim já dizia Romero Jucá algum tempo atrás: Temer deveria construir um pacto nacional (chamamos isso de golpe) “com o Supremo, com tudo”. O certo é que o golpe continua e talvez termine apenas quando Lula for preso e se torne inelegível em 2018. Até lá Temer vai se segurando como pode, e nós, assistindo a tudo como meros expectadores. Vamos aguardar.

Professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM

6/09/2017 atualizado às 00:30

O utilitarismo ideológico do empreendedorismo

Dejalma Cremonese*

Considerado um dos maiores pensadores do Brasil, o filósofo Leandro Karnal, desconstroi as três famosas “teologias” do momento: a teologia da auto-ajuda, da prosperidade e da crença mística-econômica do empreendedorismo. Ambas são consideradas a “salvação” para aqueles que buscam uma “saída” para as crises que perpassam as emoções, o espírito e chega até o bolso.

Discorro sobre a teologia do empreendedorismo com seus mantras pouco escrutáveis presentes na ponta da lingua de gurus da neurolinguística, coach e da autoajuda: “agregue valor, seja cool”, “mantenha o foco”, “faça a diferenças”, “saia da zona de conforto”, “é preciso vestir a camiseta”, “descubra seu nicho”, “trabalhe em equipe”, “faça seu próprio marketing”, “é preciso um choque de gestão”, “o mérito advém de sua boa performance”, “prepare-se para os desafios”. Frases de efeito também podem causar danos irreparáveis aos “crentes”, com “pouca fé”, diga-se, racionalidade: “tudo o que a gente faz passa pelo cérebro”, “a razão do Brasil estar assim advém de sua baixa consciência empreendedora, exemplo é Miame, que tudo dá certo”, “menos política, mais gestores, salve o fake Dória”, “saia da zona de conforto” “reinvente-se com a crise”. Vive-se o tempo que todo administrador virou “gestor”, vendedor(a) virou “promotor(a) de vendas”,  e todo empregado virou “colaborador”, todo mundo deve ser um coah (treinador), logo não teremos mais jogadores.

Lembre-se, assim reza a cartilha do empreendedorismo: a culpa da crise sempre será do Estado ou do governo que é incompetente ou corrupto. O deus mercado nunca entrará em crise, no máximo passará por um “novo ciclo”. Em um momento crítico, as empresas irão recorrer aos benefícios fiscais do Estado às custas dos impostos de todos. Sim, o lucro será sempre privado, mas despesas serão públicas. Enfim, a meritocracia será a tábua de salvação da economia, desconsiderando se as oportunidades sejam iguais ou não para todos. Se você for um loser, a culpa é sua, pois não se esforçou para ser um winer.

A utilidade dominante do empreendedorismo visa um interesse exclusivamente econômico. Por outro lado, como diz o escritor italiano Nuccio Ordine, nossas escolas, museus e universidades "estão progressivamente matando a memória do passado, as disciplinas humanísticas, as línguas clássicas, a educação, a livre pesquisa, a fantasia, a arte, o pensamento crítico e o horizonte civil que deveria inspirar toda atividade humana". Poderíamos emendar, no universo do utilitarismo empreendedorista, "um martelo vale mais que uma sinfonia, uma faca mais que um poema, uma chave de fenda mais que um quadro: porque é fácil compreender a eficácia de um utensílio, enquanto é sempre mais difícil compreender para que podem servir a música, a literatura ou a arte". Triste realidade.

Fontes:
KARNAL, L. Teologia do empreendedorismo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=CDkrkhhvOvY. Acesso: 02 ago. 2016.
ORDINE, N. A utilidade do inútil: um manifesto. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.
VIEIRA FERREIRA. W. R. O Pequeno e Irônico Dicionário para Aspirantes ao Mérito-empreendedorismo. Disponível em: http://cinegnose.blogspot.com.br/2017/08/o-pequeno-e-ironico-dicionario-para.html#more. Acesso: 01 set. 2017.

Professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM

15/08/2017 atualizado às 11:30



Fonte: Reuters

Abriu-se a caixa de Pandora: o ódio ressurgiu

Os estudos in loco de Alexis de Tocqueville entre 1831 e 1832 já alertavam sobre o caráter nefasto da escravidão nos Estado Unidos. A escravidão segundo ele, é "um dos males responsáveis por desonrar o trabalho, introduzir a ociosidade na sociedade e, com isso, a própria ignorância e o orgulho, além da pobreza e o luxo. Ela debilita as forças da inteligência e entorpece a atividade humana". Além do mais, escravidão deixaria, "como uma chaga, um sinal indelével sobre o futuro da democracia norte-americana, mesmo quando os negros fossem libertados das correntes e declarados cidadãos".

Esta chaga parece ter sido aberta novamente com o avanço dos os supremacistas brancos na revolta de Charlottesville, Virgínia. O confronto deixou uma vítima quando James Alex Fields, 20 anos, atropelou outras 19 pessoas que marchavam contra os extremistas. A de intolerância provém de movimentos racistas e neonazistas da extrema direita formado por homens brancos saíram às ruas com suas tochas acesas, recordando os tempos sombrios do Ku Klux Klan (KKK - grupo que assassinou, linchou e enforcou negros nos EUA), com o objetivo de protestar contra gays, muçulmanos, negros, hispânicos, mulheres e judeus. Tal movimento é apenas mais um dos mais de 400 incidentes de ódio do recente governo de Donald Trump. Importante lembrar que Trump se elegeu sob o lema de "Tornar os Estados Unidos grandes de novo", com um discurso de ódio a favor do xenofobismo, do racismo e da intolerância contra as minorias. A intolerância do próprio Trump e de seu governo legitima de alguma forma as ações dos extremistas.

Após o fato, Trump apenas tuitou convidando os americanos a rejeitar o ódio e a violência. Depois veio a público em rede nacional afirmando que "o ódio e a divisão devem terminar agora. Devemos nos unir como americanos, no amor da nossa nação, através do afeto uns pelos outros". No entanto, a evidente neutralidade de Trump gerou uma nova onda de protestos que obrigou Trump a se manifestar de forma mais incisiva contra os extremistas: "O racismo é o mal... E aqueles que provocaram a violência em seu nome são criminosos e bandidos...".

O que parece as manifestações de Trump não surgiram efeitos, pois, o presidente tem enfrentado ondes de protestos pelos opositores. É inacreditável que "supremacistas brancos, os nazistas, os antissemitas se sentem legitimados pelo nosso presidente", dizia uma manifestante.


11/08/2017 atualizado às 11:40

Reforma Política: distritão e financiamento público

Dejalma Cremonese*

Temos no momento, mais uma discussão da tão famigerada Reforma Política. Lembro que, no mínimo, este debate alcança mais de 20 anos. No entanto, durante este período não tivemos avanços substanciais. Agora entra em pauta na Comissão Especial da Câmara o chamado distritão e o “financiamento público de campanha” de antemão descartada pela opinião pública.

Entre as principais propostas do distritão teremos o fim do voto em legenda dada aos partidos e extingue-se também o quociente eleitoral: por exemplo, um candidato puxador de votos (Tiririca) não elegeria outros candidatos de seu partido. A eleição para deputados não será mais proporcional, mas majoritária, ou seja, os mais votados em cada distritos ou município seriam eleitos, independentemente dos resultados de seus partidos. Dessa forma seriam perdidos todos os votos dos candidatos não eleitos. A partir da implantação desse modelo diz o especialista Jairo Nicolau: “não haverá suplência partidária, os partidos serão fragilizados e aumentará a personalização dos candidatos”. Esse modelo favorecerá os candidatos que tiverem mais popularidade ou recursos para bancar a campanha. Em tese teremos mais cantores, líderes religiosos, apresentadores de telejornais, jogadores de futebol na política. Esta proposta também ajudará a reeleição dos políticos tradicionais impedindo a renovação nos cargos públicos. Tal proposta impulsionará o personalismo político bem como o enfraquecimento dos partidos. Para ter uma ideia, os países que utilizam o distritão são o Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Pitcairn. Não é preciso dizer mais nada.

Outro ponto polêmico da proposta diz respeito a criação de um fundo de Financiamento Público de Campanha. Este fundo vai gerar aproximadamente R$ 3,6 bilhões para os partidos. Com os recursos das empresas minguaram, também assustados pela operação “Lava Jato”, os deputados estão tentando outras maneiras de obter recursos para suas campanhas, claro, agora às custas do povo. A votação de emendas, no entanto, pode alterar pontos da reforma, que ainda passará também pelo crivo dos plenários da Câmara e do Senado.

Uma autêntica reforma política virá com um debate amplo de todos os segmentos da sociedade. Para isso é preciso mobilizar a opinião pública, em companhia de instituições sociais comprometidas com o bom andamento e a consolidação de nossa frágil democracia. Reforma política feita apenas por políticos é engodo e casuísmo, afinal, ninguém constrói uma chibata que venha apanhar logo a frente.

Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM


03/08/2017 atualizado às 10:16

Temer: e a vitória de Pirro

Dejalma Cremonese*

E o Congresso Nacional voltou a demonstrar a vergonha que sente o brasileiro de seus deputados. Assistimos novamente um show de horrores e bizarrices com xingamentos, empurra-empurra, sem contar com a excentricidade e o triste protagonismo do deputado Wladimir Costa, do Solidariedade, o mesmo que tatuou o nome do presidente Temer no embro esquerdo, ao votar ele afirmou: “Abaixo o Datafolha, abaixo o Ibope! Temer é um homem decente, preparado, honesto! Meu voto é sim!”

Anomalias e idiotices pessoais a parte, o resultado é que a oposição não conseguiu os 342 votos necessários para encaminhar o processo contra Michel Temer. A oposição só conseguiu 227 votos, contra os 263 votos dos deputados da base governista, uma diferença de 36 votos pró-Temer. No total 492 deputados votaram, 02 se abstiveram e 19 não compareceram. Sendo assim, a maioria dos deputados rejeitaram a denúncia contra Temer por corrupção passiva apresentada pela PRG - Procuradoria Geral da república.

Pode-se dizer que a vitória de Temer foi uma "vitória de Pirro" que significa, uma vitória a um alto custo/preço. Assim como Pirro que venceu a guerra mas perdeu boa parte de seu exército, Temer venceu a um custo econômico, político e moral altíssimo frente à sociedade. Foram milhões gastos na compra de deputados com a liberação de emendas e de cargos para os parlamentares, barganhas, ministros dispensados para votar, tudo para se manter no poder. Com esses votos (264) o governo Temer terá dificuldades na aprovação da reforma da previdência - considerada a galinha dos ovos de ouro pelo mercado. Difícil Temer alcançar 308 votos para tocar adiante qualquer tipo de reforma.

Sim, Temer venceu no Congresso. Conseguiu arquivar a denúncia da PGR por corrupção passiva, mas terá dificuldades em reorganizar sua base governista. Deve aparar aresta dentro do seu próprio partido, o PMDB: foram seis deputados que votaram contra ele. O mesmo aconteceu com os demais partidos da base do governo: DEM, também seis deputados votaram contra Temer. O PSDB liberou seus deputados sendo que 21 votaram contra Temer. Votaram de forma unânime contra Temer os partidos da oposição: PCdoB, PSOL, PT e Rede, no PDT apenas um deputado foi favorável a Temer. Da mesma forma o PPS, partido do ministro Jugman, nove deputados votaram contra Temer.

A pergunta que fica é se Temer sobreviverá a novas acusações provindas das delações premiadas do doleiro Lúcio Funaro, apontado como um dos principais operadores do PMDB, do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e dos próprios irmãos Batista da JBS. É a espada de Dâmocles que paira sobre a cabeça de Temer.

*Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM
e-mail: dcremoisp@yahoo.com.br
Site: www.capitalsocialsul.com.br

A maioria dos deputados gaúchos dizem NÃO ao Relatório que livraria Temer
Dos parlamentares gaúchos, 17 deputados se manifestaram contra Michel temer e 11 a favor. Foi registrada a ausência do deputado Giovani Cherini. Veja como votaram os nossos deputados: (que os eleitores não esqueçam desses nomes ano que vem, ano de eleições).

18 a 25/07/2017
Governo Temer continua
Conseguiu avançar nas reformas, principalmente a trabalhista, fez o que tinha que fazer, segundo as normas do mercado, ruím para o trabalhador. Se continuar no cargo, mais reformas virão aí.

Governo comprou deputados
Para se safar das denúncias, Temer cortou milhões da PF, do Bolsa Família, da casa própria e "investiu"15 bi para comprar deputados. Um tapa na cara da sociedade que acompanha a tudo anestesiados.

Lula condenado fora em 2018
Se Lula for condenado em Segunda instância ficará fora das eleições em 2018. O petista aparece a frente na disputa eleitoral com 30% dos votos. Em segundo lugar aparece Bolsonaro um representando da direita conservadora. Marina se coloca novamente na disputa, no entanto, Marisa só aparece em tempos de eleições, seu nome ficou marcado negativamente ao apoiar Aécio Neves no segundo turno das eleições passadas. Por falar em Aécio, o homem que teve mais de 51 milhões de votos viu seu prestígio cair por terra depois de ter sido flagrado em escutas telefônicas com o empresário Wesley Batista, está fora do páreo.

Análise de 10 a 17/07/2017 ler>>

 

I/2017
Pesquisa
Livros digitais: disponíveis no amazon acesse>>

Extensão: análises, entrevistas e palestras
A Paidéia Grega:
1. Vídeo parte I
2. Vídeo parte II
3. Video parte III

Felicidade: argumentos a partir da filosofia
1. A eudaimonia grega. assista>>
2. Felicidade é algo constante. assista>>
3. Desapego aos bens materiais. assista>>
4. Viver a frugalidade. assista>>

Voto em lista fechada - para salvar políticos da "Lava Jato" Assista>>

Reforma da Previdência no governo Temer: não seria o fim das aposentadorias? Assista>>

Palestra: Ética e felicidade para uma vida boa - argumentos filosóficos - Professoes da rede municipal de educação - Cachoeira do Sul - RS (março 2017) assista>>

Aula Inaugural Pós em Ensino de Sociologia: "Ética na Pós-modernidade" (Parte I) assista>>

Aula Inaugural Pós em Ensino de Sociologia: "Ética na Pós-modernidade" (Parte II) assista>>

Palestra Ética e felicidade nas relações humanizadoras - assistir>>

Entrevistas

O Impacto das redes sociais nas relações sociais e na política - Revista Stampa (Parte I) e (Parte II)

Aulas
Disciplinas 2017: I Semestre

Introdução à Filosofia - Ementário e programação das aulas>>

Política I - Serviço Social>>

Análises Políticas

Análise das eleições 2016 - O Brasil que sai das urnas por Dejalma Cremonese

Análise de Conjuntura Política - Programa Extra Campus TV Campus UFSM Assista>>

Disciplinas 2016: II Semestre

Introdução à Filosofia - Ementário e programação das aulas

Teoria Política I

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