Aulas I/2018

Introdução à filosofia - Ciências sociais (DCG)
Política I - Serviço Social

Análise de Conjuntura Política 2018

3. Análise/opinião:


Sociedade do Cansaço: reflexões a partir de Byung-Chul Han

Dejalma Cremonese

Não tenho tempo! Estou muito ocupado! Ao mesmo tempo Estou cansado! São frases que costumamos ouvir no quotidiano com certa frequência. Frases típicas de uma sociedade de multitarefas onde somos exigidos a fazer mil coisas ao mesmo tempo. Podemos chamar também esta sociedade de sociedade do desempenho e da alta performance. Em todas as ações devo ser bom: bons pais e mães de família, um bom profissional na empresa ou no ofício particular. O trabalho começa cedo e termina tarde: já de madrugada acordamos para a higiene, café e academia, ainda antes do trabalho. Respondemos e-mails, checamos o whats e damos satisfações para os diferentes grupos que ali se apresentam dando “bom dia” ou enviando mensagens de “otimismo”. As crianças foram “deixadas” no colégio e o dia será corrido pois as tarefas se acumularam nas últimas semanas. O dia passou rápido pois foram feitas mil atividades. A tardinha chega e com sorte consigo voltar para casa no tempo “normal”, se o trânsito ajudar. A noite se estende até alta horas. Dormimos pouco e dormimos mal.

Frente a este corre-corre frenético do dia a dia, o pensador sul-coreano Byung-Chul Han (1959) cunhou o termo “sociedade do cansaço”, onde apresenta as características básicas de uma sociedade doentia. Sob uma violência do excesso de positividade que nos obriga a sermos felizes o tempo todo, a sociedade pós-moderna criou o homem depressivo, o homo labors que explora a si mesmo (inimigos de nós mesmos). A depressão advém do cansaço de um homem que não sabe dizer “não”, de uma sociedade que diz que “tudo é possível”, até mesmo “levar trabalho” para casa. Trabalhamos mais para consumir mais e, ao consumir mais, trabalhamos mais, e o círculo vicioso se fecha. Consumimos mais na tentativa de sermos felizes o tempo todo, como se fosse possível. A moda do momento é: todos somos empreendedores, todos somos coach (treinadores). Temo que faltará pessoas para serem “treinados”.

O paradigma anterior vigente até o século passado tinha como base a sociedade disciplinária de Foucault amparada na vigilância e no castigo. Para Byung-Chul Han o século XXI apresenta um novo paradigma, o neurológico. O inimigo não está fora – mas vive dentro de cada um. Segundo ele, esse “adentramento” gera enfermidades neurológicas como o TDA - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, depressão, bipolaridade, stress e cansaço. Passamos de uma sociedade disciplinária para uma sociedade do controle: controle pelo rendimento,  aliás, somos obrigados a render, se não rendemos nos culpamos. A sociedade do rendimento é a sociedade da “positividade”:  Yes, We can. Diferentemente da sociedade disciplinária que era a sociedade do “não”, para a sociedade do sim que gera depressivos e fracassados. Eu sou meu proprio chefe, ao mesmo tempo sou o meu proprio escravo, me auto exploro.

A sociedade do desempenho é a sociedade que impulsiona o excesso de estimulos nas diferentes áreas instigando ao mesmo tempo a intolerância ao vazio. Por isso temos dificuldades de “contemplar”. Contemplar significa “fixar o olhar a alguém, algo ou a si mesmo, com encantamento, com admiração”. Como diz Byung-Chul, o excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma. Como podemos reverter essa situação? Diz o pensador que devemos recuperar a capacidade de ouvir, a virtude de aborrecer-se e minimizar a “positividade” da vida. A negatividade as vezes faz bem e a contemplação nos torna livres verdadeiramente.

Porfessor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM


 

Bolsonaro, o "mito"?

Dejalma Cremonese

O mito, como uma das primeiras formas de conhecimento humano, não é mera história fantasiosa ou narração fictícia. Consiste em uma história que traz consigo um fundo de verdade, uma mensagem subliminar quase sempre imbuída de valor ético, cujo objetivo é reger e manter a comunidade unida e organizada. O mito é um imaginário a partir do qual extraímos o sentido da vida. Dessa forma, também deve ser buscado pela reflexão para chegar ao conhecimento. Mesmo os filósofos, quando o raciocínio chega ao limite, recorrem ao mito como modo de conhecimento suscetível para alcançar o “desconhecido”.

No passado, um personagem tornava-se “mito” quando servia de modelo para as outras. Já os “heróis” eram capazes de morrer pelo bem da coletividade. Mas quem seriam os “modelos” e “heróis” dos nossos dias? Seriam eles seres altruístas capazes de dar a vida pelos outros? Quais seriam os mitos ou heróis que procuram dar sentido ao homem pós moderno? Penso que os políticos, os jogadores de futebol, as celebridades televisivas das novelas e dos reality shows ou, até mesmo, os sofisticados bens de consumo, as drogas, o individualismo e o exibicionismo do corpo tentam cumprir esse papel. “Heróis”, mas vazios de sentidos!. Como argumenta o escritor espanhol Fernando Savater: “[...] vivemos num mundo em que, multiplicados pelas comunicações e pela imagem, eles têm uma presença quase opressiva. Temos ídolos no futebol, na política, na tela, na canção, no dinheiro, no triunfo social ou na beleza”.

Sendo assim, o que leva um candidato à presidência da República ser aclamado como “mito”? Nos seus 30 anos de atuação parlamentar qual o projeto relevante que este deputado aprovou para a sociedade? O certo é que ele tem recebido apoio de uma parte dos eleitores que se identificam com seus discursos agressivos e preconceituoso contra todos os que pensam e agem diferentemente do seu modo de ser. Seus alvos preferidos são negros, mulheres, gays, “bandidos”, adolescentes, sem-terra, entre outros. Por conta disso já sofreu ações criminais sendo acusado de injúria, apologia ao estupro e declarações homofóbicas. Está sendo investigado também por apologia à tortura por ter homenageado o coronel Brilhante Ustra, um dos maiores torturadores da Ditadura Militar.

O certo é que este candidato além de ser um fenômeno nas redes sociais, pode também ser considerado um político outsider - que está fora dos esquemas da política tradicional. Seu discurso permeado por um conservadorismo moral, punitivista contrário aos direitos humanos, contempla uma parcela do eleitorado insatisfeito e desacreditado com o sistema político tradicional. Eis um bom tema para o debate público.

Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM

Intervenção militar no Rio de Janeiro


Louvado por alguns, visto com desconfiança e ressalva por outros, o certo é que em momentos de instabilidade política, e aqui especificamente a crise da segurança pública, o Brasil tem historicamente uma mania de apelar aos militares quando o caldo esquenta: trata-se da intervenção militar no Rio de Janeiro. Pergunto: seriam os militares os “salvadores” de uma pátria já combalida? A instância final antes do caos? Ou estariam eles preparando uma possível retomada do poder? Foi assim em 1964 e o fato se repete em 2018. Em 1964 o inimigo a ser destruído era o comunismo e hoje, quem são os inimigos, os contraventores? Os “bandidos” não seriam aqueles que o Estado abandonou por décadas na ausência de políticas de proteção social a este mesmo cidadão? Por que atacar a favela se sabe-se que o problema não está lá?

O certo é que os militares estão de volta. Depois de 1964-1985 nunca tiveram tanto poder como agora. Estão aos poucos substituindo políticos que fracassaram no bom êxito de sua governança. General Braga Netto e general Richard Nunes mandam mais do que o governador Luiz Fernando Pezão, democraticamente eleito no Rio de Janeiro. A pouco Michael Temer entregou o Ministério da Defesa ao militar general Luna e Silva e o número dois da Segurança pública é o general Santos Cruz.

Mas o que a intervenção militar no Rio de Janeiro pode refletir na conjuntura política nacional? Por um lado temos o governo moribundo de Temer que fracassou na tentativa de aprovar uma reforma previdenciária que era a “menina dos olhos” do mercado. Agora a pauta é outra, a segurança pública. Como todos sabem, há uma vontade explícita de Temer em se candidatar a reeleição. Difícil será convencer o eleitorado frente a sua alta rejeição e a uma taxa de desemprego de 12,2% no último trimestre. Estes percentuais colocam quase 13 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho, um balde de água fria nas pretensões do presidente. Se a intervenção no Rio de Janeiro lograr algum êxito nada garante que as eleições de outubro venham a acontecer. Trabalha-se com a perigosa hipótese de uma prorrogação do governo Temer numa conjugação de forças civil-militar. Por outro lado temos a indefinição das esquerdas na escolha de um nome de consenso que represente este espectro progressista. Fala-se em Manuela (PCdoB), Boulos (PSOL), Ciro (PDT) e Lula (PT), caso não aja impedimento jurídico. Mais a direita cresce o percentual de apoio ao deputado Jair Bolsonaro (PSD), um candidato com características conservadoras. Bolsonaro tem o apoio do general do exército Antonio Amilton Mourão que passou a reserva na última quarta-feira (28). Mourão em seu discurso final chamou o Coronel torturador da época da ditadura Carlos Brilhante Ustra de “herói”. Mourão disse que, “se precisar subirá no palanque em prol de Bolsonaro”. Ao centro é bem provável que Alkmim (PSDB) concorra novamente a presidência aproximando-se dos eleitores mais ao centro do espectro político.

Como diz o interventor general fardado Braga Neto: “O Rio é um laboratório para o Brasil”. O que isso significa não se sabe ao certo. Uma “experiência” que pode ser adotada em outros estados? Pode ser que sim, pode ser que não. O certo é que Temer entrega aos poucos o poder aos militares e estes farão o “serviço” de subir em favelas e prender ou matar “malfeitores”. Intervenção em favelas pobres é fácil, difícil é uma intervenção social com políticas públicas que beneficiem a população como um todo.

A condenação política de Lula - 26/01/2018 atualizado às 23:30 Assista>>

Tivemos na última quarta feira – dia 24 de janeiro de 2018, o julgamento da apelação levantada pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva junto ao Tribunal Regional Federal da quarta região (RS, SC e PR). Importante lembrar que Lula já havia sido condenado pelo Juiz Sergio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão ainda no ano passado, pela suposta acusação ter recebido da empresa (OAS) um apartamento triplex no Guarujá em São Paulo em troca de contratos junto a Petrobras. Como sabemos, a apelação de Lula não foi apenas rejeitada mas teve sua condenação aumentada para 12 anos e um mês de prisão pelos desembargadores do TFR-4. Diante do fato talvez seja pertinente levantar algumas considerações:

a) O que causou espanto, foi a impressionante velocidade do julgamento de Lula contrariando a conhecida morosidade da justiça brasileira. Qual seria o motivo do desembargadorevisor Leandro Paulsen acelerar o processo de Lula passando na frente de outros 257 processos da Lava Jato?

b) Tempo recorde também para Paulsen ler o processo. Ainda no ano passado Leandro Paulsen demorou 6 dias para avisar a Secretaria da Oitava Turma que seu posicionamento já estava pronto e poderia ser colocado na pauta do Tribunal. (Sua decisão já estava tomada).

c) Um dos argumentos citado pelos desembargadores para condenar Lula foi que “ninguém está acima da Lei. Na verdade não é bem assim, no Brasil, alguns políticos sim, estão acima da lei. Provas é que não faltam para Temer, Jucá, Aécio, Moreira Franco e José Serra entre outros. Aliás, no mesmo dia que Lula foi condenado a procuradora-geral da República, Raquel Dodge pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o inquérito que investiga o senador José Serra (PSDB-SP) pelo suposto crime eleitoral de caixa 2 fosse arquivado. Motivo? Prescrição do caso, em outra palavras, caiu no esquecimento. Conclusão, no Brasil, alguns estão sim, acima da lei.

d) Também não é surpresa para ninguém a ausência de imparcialidade do juiz Sergio Moro e demais procuradores no caso. Todos sabem das preferências políticas do juiz Moro (abraçado a políticos do PSDB).

e) Qual foi a prova contundente para a condenação de Lula? Nenhuma prova foi apresentada concretamente.

Por fim, a condenação do ex presidente Lula é a continuidade do golpe parlamentar, midiático e empresarial e, porque não dizer, um jurídico, que afastou Dilma do poder e só será consumado com a prisão de Lula e sua inelegibilidade nas eleições de outubro. Este é o grande temor do capital e de setores da classe média: que Lula volte ao poder. Até lá, muita água vai rolar.

2. Entrevista:

Falência do Estado diante da violência. Assista entrevista RBS>> 11/01/2018 atualizado às 22:30


1. Análise/opinião:

Pena de Morte: Para quem? Assista>> 08/01/2018 atualizado às 17:30

 

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